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sábado, 29 de setembro de 2012

Especial 10 anos de Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque

No dia 22 de agosto de 2012, data em que se comora aos 10 anos de criação do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, uma equipe da TV Amapá entrou nesta Unidade de Conservação e mostrou suas belezas naturais. Conheça um pouco do PARNA Montanhas do Tumucumaque. Assista o especial!


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Tumucumaque inaugura Centro Rústico de Vivência


Alessandra Lameira e Jorge Oliveira
Mapa do Caminho do CRV (Arte: Cristiane Menezes)

O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT), situado entre o estado do Pará e Amapá, inaugurará no dia 04 de setembro, terça-feira, o Centro Rústico de Vivência (CRV), que é um acampamento montando num dos principais acessos à Unidade de Conservação, em Serra do Navio. Esta atividade marcará a celebração dos 10 anos do PNMT, envolvendo conselho consultivo, poder público e a sociedade civil dos municípios do entorno do Parque, tais como: Oiapoque, Laranjal do Jari, Serra do Navio, Pedra Branca do Amapari, Calçoene e Almerim.
Estruturas do Centro Rústico de Vivência (Foto: Paulo Russo)

O Centro Rústico de Vivência (CRV) é o “embrião” de um possível Centro de Interpretação da Natureza que são espaços destinados a apresentar as características de uma unidade de conservação ou de áreas naturais para o público em geral.
No dia 5 de setembro será feita uma reunião extraordinária alusiva aos 10 anos de criação da Unidade de Conservação, serão abordado vários assuntos tais como: retrospectiva da gestão do PNMT, pesquisa em unidades de conservação, uso público, rilhas e educação ambiental.
Também ocorre neste mesmo dia o passeio dentro de uma trilha que levará os convidados até as margens do rio Feliz, onde está situada uma das mais belas paisagens da entrada do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque.

Mirante do Centro Rústico de Vivência (Foto: Paulo Russo)

Para a comemoração, serão realizadas apresentações culturais do grupo Raízes do Bolão – que vai exibir um número de Marabaixo e voz e violão com Álvaro Braga.
Para chegar ao local das comemorações, os convidados sairão de Macapá até o município de Serra do Navio, e de lá irão para o acampamento em “voadeiras”. A viagem ao longo do rio deve durar cerca de 4 horas. Estão envolvidos na mobilização a equipe do Parque Nacional, colaboradores da região e o 34ª Batalhão da Infantaria de Selva.
Para a realização deste evento o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque tem o apoio da organização não governamental, WWF Brasil, e do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).
O analista de conservação do WWF-Brasil, Luiz Coltro, disse que a programação especial servirá para “comemorar o sucesso” que esta Unidade de Conservação se tornou. “Temos um conselho consultivo formado, atuante e capacitado. Existe um plano de manejo oficialmente reconhecido. Temos iniciativas de uso público e educação ambiental. São fatores relevantes que geram aproximação do Parque com as comunidades do seu entorno. Isso é legal”, explicou.
Centro de vivência (Foto: Paulo Russo)

 Luiz afirmou ainda que, apesar de ser uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, cujo uso e visitação são mais restritos, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque não possui essa característica. “Esse é um dos exemplos de unidade de proteção integral que tem uma relação interessante com seu entorno. As comunidades próximas querem projetos pedagógicos, querem participar do conselho da UC. Existe um sentimento de pertencimento entre os ribeirinhos e a área protegida”, contou.
O WWF-Brasil apoia a implementação do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque há vários anos e já realizou expedições científicas para esta Unidade de Conservação em duas ocasiões: em 2006 e 2011.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Tumucumaque comemora 10 anos de criação

Alessandra Lameira
Assessora de Comunicação

O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT), completa nesta quarta-feira, 22 de agosto, 10 anos de criação. Para celebrar a data, a equipe gestora desta Unidade de Conservação realizará uma programação especial na primeira semana de setembro, que vai envolver o conselho consultivo do PNMT, Poder Público e a Sociedade Civil dos municípios do entorno do Parque.
Um acampamento está sendo montado num dos principais acessos ao Parque e esta atividade será marco na celebração pelos 10 anos de criação da unidade. Esta área abrigará o Centro Rústico de Vivência – CRV, que é o “embrião” de um possível Centro de Interpretação da Natureza.   O CRV será apresentado a um grupo de 40 convidados no dia 4 de setembro, sendo que no dia 5 (Dia da Amazônia) algumas atividades culturais e a realização de uma trilha coroarão esse momento de vivência do Parque.
“Centros de Interpretação da Natureza são espaços destinados a apresentar as características de uma unidade de conservação ou de áreas naturais para o público em geral”, afirma o analista ambiental Paulo Russo, que é Coordenador de Articulação Institucional e Comunitária & Educação Ambiental do PNMT.
Para toda essa mobilização, os convidados a participarem do acampamento serão deslocados de Macapá para a Serra do Navio que, em seguida serão conduzidos para o Parque através de voadeiras, a viagem no rio terá a duração aproximada de 4 horas.
Além da equipe do PNMT enviada para a montagem do acampamento e o apoio de colaboradores da região, o 34º Batalhão da Infantaria de Selva também auxiliou na realização deste evento.
Durante a comemoração, será apresentada ao público presente uma retrospectiva com os principais fatos relacionados ao Parque. A trilha que será feita pelo grupo de convidados os levará até as margens do Rio Feliz, onde está localizado um das mais belas paisagens da entrada do Parque por Serra do Navio. O momento cultural contará com o Grupo Raízes do Bolão que mostrará sua força regional através do Marabaixo.
Para a realização deste evento o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque tem o apoio da organização não governamental, WWF Brasil, e do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).
O ordenamento do Uso Público no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque está em processo de elaboração. Atualmente, em acordo com o trade turístico da região, a visitação deve possuir um caráter educativo, conforme norteia o Plano de Manejo da Unidade.
“E uma oportunidade para redirecionarmos os rumos da gestão para melhorarmos nossa eficácia. Estamos cientes que muita coisa está ainda por ser feita. Em especial no que diz respeito ao fortalecimento do sentimento de propriedade, responsabilidade e também orgulho por parte da população amapaense perante ao PNMT. A equipe gestora tem a missão de conduzir esse processo e, diga-se de passagem, estamos vivendo talvez a fase mais interessante na trajetória de implementação da unidade, em que, após a aprovação do Plano de Manejo, podemos focalizar os trabalhos nos objetivos finalísticos de um Parque Nacional. Nesse sentido, destaca-se o desejo proeminente de abrir a unidade à visitação, dando ainda mais visibilidade à mesma e ao Estado do Amapá como um todo, mas também proporcionando oportunidades de emprego e renda às populações do entorno, mediante à prestação de serviços demandados pela atividade (eco)turística. Além disso, a pesquisa científica, a educação ambiental, a recreação ao ar livre, o contato com a natureza são objetivos importantes que devem nortear o trabalho dos gestores do PNMT”, afirma o chefe do PNMT, Christoph Jaster.

 Tumucumaque
O PARNA do Tumucumaque é o maior Parque Nacional do Brasil e uma das maiores áreas de floresta tropical protegidas do mundo, com uma área aproximada de 3.867.000 hectares.
Esta Unidade de Conservação foi criada em 22 de agosto de 2002 e está localizada numa porção da Floresta Amazônica bem peculiar, com características únicas e ainda pouco conhecidas, na região conhecida como Escudo das Guianas, ao noroeste do Estado do Amapá. O órgão federal responsável por sua gestão é o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. O Parque abrange parte dos municípios de Oiapoque, Calçoene, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio e Laranjal do Jari; além de uma pequena porção do município de Almerim, no Estado do Pará.

Como funciona a fiscalização?


A fiscalização consiste na repressão das infrações ambientais através da aplicação de instrumentos administrativos como advertência, multa, apreensão, embargo, entre outros. Os Analistas Ambientais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio possuem poder de polícia no interior das unidades de conservação federais, e desta forma zelam pelo cumprimento das leis ambientais nessas áreas.
Foto: Alessandra Lameira
As infrações ambientais mais comuns na região do Parque são a caça de animais, coleta de ovos de tracajá e o garimpo clandestino. O garimpo destaca-se pela sua gravidade, pois onde há garimpo, além do assoreamento e contaminação dos corpos hídricos, ocorre caça constante para alimentação dos garimpeiros, desmatamento para construção de barracos e armazenamento irregular de produtos perigosos, como mercúrio e combustível.
Nas atividades de fiscalização os agentes do ICMBio, que podem contar com apoio da Polícia Federal, Exército, IBAMA e Polícia Militar, quando flagram infrações ambientais, aplicam as medidas necessárias para cessar a atividade degradante. No caso de um garimpo, por exemplo, a área pode ser embargada (interditada), o maquinário e material utilizado podem ser apreendidos e os garimpeiros podem ser multados.
Como quase todo Parque está na faixa de fronteira (faixa de 150 km a partir das fronteiras do Brasil com os países vizinhos), o Exército é um parceiro estratégico, pois dentro dessa faixa pode exercer poder de polícia, agindo na prevenção e repressão aos crimes transfronteiriços e ambientais.

Fauna


Não temos informações sobre endemismo das espécies da fauna silvestre presente no PARNA M. do Tumucumaque, para o qual seriam necessárias pesquisas biogeográficas aprofundadas. Entretanto o PNMT abriga algumas espécies em risco de extinção em outras regiões do Brasil e constantes na lista vermelha de espécies ameaçadas. São elas: Caxiú, tamanduá-bandeira, onça pintada, juguar, tatu-canastra, ariranha e cachorro-vinagre.


Caracterização da Vegetação


O PNMT é quase integralmente dominado pela Floresta de Terra Firme (ou Floresta Ombrófila Densa Amazônica, que é um tipo de floresta pluvial tropical), em excepcional estado de preservação e clímax sucessional (condição máxima de desenvolvimento estrutural). Tal situação evidencia rica biodiversidade, árvores exuberantes, algumas superando 50 metros de altura e com troncos avantajados. Uma listagem das espécies arbóreas ali encontradas sempre estaria incompleta, entretanto é possível destacar algumas das mais importantes. São elas:
 
Abiorana (Pouteria sp.); Açaí (Euterpe oleracea); Acapu (Vouacapoua americana); Acariquara (Minquartia guianensis); Anani (Symphonia globulifera); Angelins (Hymenolobium spp.); Breu (Protium paniculatum); Castanheira (Bertholletia excelsa); Cedrorana (Cedrelinga catenaeformis); Cupiúba (Goupia glabra); Faveira (Vataireopsis speciosa); Ingás (Inga spp.); Ipês (Tabebuia spp.); Jarana (Holopyxidium sp.); Louro (Ocotea sp.); Maçaranduba (Manilkara huberi);  Mandioqueira (Qualea sp.); Maparajuba (Mimusops maparajuba); Matamatá (Eschweilera sp.); Piquiá (Caryocar villosum); Pracaxi (Pentaclethra macroloba); Quaruba (Vochysia sp.); Tachi (Tachigali myrmecophila); Tauari (Couratari multiflora); Ucuúba (Virola surinamensis).
           Algumas dessas árvores são tradicionalmente utilizadas pela qualidade da madeira (acapu, piquiá, ipê, acariquara, angelim, etc.). Outros fornecem frutos ou subprodutos comestíveis (açaí, castanheira, ingás, etc.). O breu é utilizado na indústria de cosméticos e na medicina popular, a casca do tauari é utilizada como palha para enrolar cigarros.
Na floresta, cada espécie tem características próprias de ocupação do espaço (vertical, horizontal), distribuição, preferência de solo, exposição à luz solar, estratégia de reprodução, dispersão espacial, etc. Algumas se agregam em grupos (castanheira, Angelim), enquanto outras são esparsas. No PNMT podemos afirmar que, quando uma espécie é rara, ela o é por sua própria condição ecológica natural e não por uma eventual interferência antrópica, como explotação predatória ou desmatamento desenfreado. Ainda assim, temos poucas informações sobre as características individuais das espécies arbóreas da floresta do PNMT, o que remete a um vastíssimo campo de pesquisa científica. Proporcionar esse tipo de atividade, junto com a visitação, recreação, educação ambiental e a própria proteção da natureza, constitui os objetivos primários de um Parque Nacional.